Resenha - Sol e Tormenta (Trilogia Grisha)

Sol e tormenta, Trilogia Grisha, Leigh Bardugo, Alina Starkov


             Uma fantasia bem escrita, com muita magia, ameaças gigantes e muita mitologia russa presentes em um mesmo livro, é o resultado de Sol e Tormenta, o livro dois da Trilogia Grishas escrito por Leigh Bardugo lançado aqui pela editora Autêntica com o selo da Gutemberg. Eu já fiz uma resenha falando sobre o primeiro livro Sombra e ossos que você pode conferir aqui.
            Sou uma das pessoas da face da terra que mais enlouquece quando o assunto é fantasia, ainda mais se envolver magia Elemental. Portanto, diga-se de passagem, que Leigh Bardugo é uma grande autora em minha opinião. Mas vamos ao enredo desse segundo volume (como vou fazer isso sem dar spoiler do primeiro EU NÃO SEI!!!).
            Alina estava no início fugindo do Darkling depois de escapar do seu poder sobre a conjuração (se é que posso chamar assim) da luz depois de adquirir o primeiro amplificador. Ela e Maly estão em um barco pirata quando são surpreendidos pelo Darkling, que agora mais forte do que nunca, conta com o poder de criar criaturas das sombras e busca pelo segundo amplificador. No decorrer na estória, Alina vai buscar reerguer o segundo exército e ir à busca do terceiro amplificador, vivendo sob o terror das lembranças daqueles que se foram e das aparições contínuas do seu pior inimigo.


            A narrativa  continua consistente, mas com um ritmo um pouco mais lento, típico de segundos volumes, realmente uma transição para o desfecho. Alina evolui com a necessidade de assumir um papel importante, mas me irritou várias vezes (não me incomodei taaanto assim) quando o assunto era amor. Nesse segundo volume são nos apresentado novos personagens, que por sinal são bem desenvolvidos no decorrer da estória e só enriquecem a narrativa. Alina por mais que seja um tipo de personagem novo, trabalhada sobre uma cultura que não temos muito conhecimento, ainda assim não foge de alguns estereótipos encontrados em personagens em geral. A dúvida de sua missão e do seu poder e em contra partida a vontade de mudar tudo. E um pequeno triangulo amoroso que logicamente não podia faltar. Mas é claro que isso não afeta diretamente a estória em si, que envolve muito mais que apenas ações estereotipadas na literatura fantástica.
            É bem interessante ver tudo o que está acontecendo entre a personagem principal e o cenário que serve de plano de fundo. Uma guerra que acontece contra o Darkling, contra algumas pessoas do palácio e contra ela mesma. Enquanto temos Alina fugindo e lutando contra o Darkling, temos a mesma personagem sendo exaltada como santa e sendo chacota pelo mesmo motivo. A maneira como Leigh mostra ao leitor, que uma pessoa pode ser fraca e forte ao mesmo tempo é fantástica.
            É possível perceber também como a autora passa a ser um pouco mais detalhista com a narrativa, erguendo a fantasia diretamente sobre o leitor e o ambientando de forma real e minuciosa nos cenários que apresenta. Como já disse, há momentos que nada acontece, e em outros que acontece tudo. Mas em nenhum deles é possível sofrer uma decepção gigantesca e não se conectar com o que é contado. Com um cliffhanger terrível, Leigh Bardugo obrigou a mim e a todos os outros leitores adquirir o Ruína e Ascenção o mais depressa possível. Uma incrível trilogia, com uma mitologia única e nova e uma escrita confortável. Impossível não gostar de cada detalhe.
            Se você ainda não leu, eu aconselho que comece imediatamente e surpreenda-se com uma nova proposta de fantasia.

CLASSIFICAÇÃO

Amores Imaginários

Les Amours Imaginaires, Xavier Dolan, Amores Imaginários, Heartbeats


            Mais uma vez estamos aqui para falar de um assunto em que sou perito. Amores Imaginários. Quem nunca?! Pois então, se você é daquelas pessoas que assim como eu se empanturra de “amor” da mesma forma que come doce, continue aqui comigo!
            O assunto vai partir do pressuposto que você já tenha assistido Les Amours Imaginaires de Xavier Dolan. Se você ainda não assistiu, (eu também não tinha assistido até semana passada, mas foi graças a Gustave Caligari que minha vida foi mais feliz) assista. Se não assistiu e não quer assistir (não sei por quê?!) não se preocupe vou te dar uma ideia do que se trata e você vai entender do que estou falando.  Se não gosta de spoilers, por favor, vá assistir e depois volte ler o texto!!!
            Um casal de amigos, Francis e Marie conhecem um cara chamado Nico. O garoto é lindo ao ponto de qualquer um ao redor se render aos seus belos traços. Nico começa dar indícios de interesse (ou não) no casal de amigos. É aí que a coisa fica meio fora dos trilhos. A amizade entre Francis e Marie começa a ficar abalada, pois ambos querem a atenção de Nico. Fazem das tripas ao coração para conquistar o garoto que é perfeito. Resumindo, ambos se declaram para Nico e recebem uma resposta inesperada. O cara é um perfeito idiota!!!
            Você com certeza já gostou de alguém! Ok, isso é inevitável. Mas já amou tanto ao ponto de não enxergar um tronco de seringueira de 300 anos na sua frente? Pode crer, isso é uma coisa quase demente. Ainda mais se você foi a pessoa que amou sozinha. O filme apenas retrata de maneira incrivelmente intimista (com fotografia linda, trilha sonora impecável!!!) como acontece com meros mortais envolvendo sua vida amorosa.


Amar uma pessoa tão intensamente que não consegue ver os defeitos, ou sua visão de um ser humano perfeito é tão imensa que os defeitos são mínimos diante das "qualidades". Criar um amor nesse nível é criar uma expectativa que não existe que não pode ser suprida. O responsável pela sua decepção é somente você nesse caso, pois quem criou o personagem não foi à pessoa que você gosta só para te impressionar. Foi você mesmo. E aí bate aquela bad. Tão forte quanto um tsunami. Emagrece o corpo, embaralha a mente, sangra o peito. E o que fazer?! Viver, mergulhar na bad, fazer cena de filme, chorar ouvindo música com a cabeça encostada na janela do ônibus (quem sempre?). Como dizia minha psicóloga da pré-adolescência. Viva seu sentimento no máximo, não guarde essa coisa senão o bicho cresce ao invés de você viver com isso dentro de você, é você quem vai viver dentro dele.

Já no final do filme, Xavier vai esfregar na nossa cara que o ser humano é falho mesmo e que sempre haverá um amor na próxima esquina, pra você amar e ser amado ou apenas para repetir o terrível ciclo anterior. Se não assistiu ao filme, corre assistir que é realmente bom. Um retrato da vida real com muito bom gosto em formato de filme. Se estiver passando por isso, os conselhos já foram dados, se ainda não passou. Se prepare e aprenda a fazer vários modelos de origamis, pois seu papel de trouxa vai vir de rolos. Abraço a todos que possuem alma de irreversíveis lunáticos e platônicos. 

Projeto Literário - A poesia do Livro

A poesia do livro
            
       Olá pessoal!!! Tenho andado meio sumido e me dedicado a algumas outras coisas como ilustração. Pretendo trazer ilustrações pro blog pra fazer com que eu esteja sempre por perto do blog e dos meus desenhos. Mas esse é assunto pra outro post. Hoje eu venho com o 1º post de um projeto literário idealizado pela Paac do blog My little Garden of ideas e como sempre o negócio já está terminando e eu estou aqui no primeiro ainda. Preguiças e contratempos à parte vamos à proposta do projeto:


Faz algum tempo que vi um vídeo no canal AViViu sobre um livro que segundo ela era incrível, sensível entre tantos outros adjetivos. Interessei-me e lá fomos nós pagar uma fortuna por um livro pequeno e fino. O livro era Morreste-me de José Luiz Peixoto. Enrolei para lê-lo e ele ficou aqui encostado na estante.

A poesia do Livro - Projeto Literário

Em maio tive uma perda muito grande. Minha avó faleceu e como eu nunca tinha perdido alguém próximo na família me senti devastado. Logo me veio a lembrança de Morreste-me que é um livro que o autor escreveu para seu pai depois do falecimento. Bom, eu li exatamente nessa época e lembra o que eu disse ali em cima? Sobre pagar uma fortuna em um livro? Pois então, retire aquela frase! Valeu cada centavo que paguei por ele na pré-venda.
É um livro que vai tratar sobre o luto, sobre esse sentimento de perda e da maneira mais incrível e poética que alguém já escreveu sobre morte. É uma sensibilidade infinita e verdadeira em forma de poesia que me atingiu em cheio e me desfez em cacos. Porém, foi através dele que consegui passar pelo luto de uma forma boa, trazendo boas lembranças, sempre inundado de tristeza, porém com um sorriso de saudade boa nos lábios.
José Luiz Peixoto é quase um mago na forma como brinca com as palavras. E foi nesse ritmo melancólico e profundo que passei por essa fase triste. Mas é um daqueles livros que não importa o quão obscura ou melancólica a temática, ele sempre vai estar como uma boa lembrança.

Bom é difícil falar sobre isso, pois me faltam palavras para descrever esse turbilhão, essa gororoba de sentimentos, mas é o que consigo falar sobre o assunto. Só recomendo muuuuito a leitura. A gente se vê em uma próxima! Vou deixar quotes do livro pra vocês verem a riqueza de sentimentos que algumas frases carregam. Abraço e fui!

Morreste-me José Luís Peixoto  Quote


Morreste-me José Luís Peixoto quote

Resenha - Um Passo em Falso

Conto um passo em falso- Helena Dias


Talvez eu não seja mesmo uma pessoa digna de confiança e rotinas, pois meu blog está tão desatualizado quanto meu conhecimento sobre a programação da TV brasileira. Mas nunca é tarde, então vamos lá que hoje tem a resenha de um conto da incrível Helena Dias do Blog Café com Livro. O conto chama-se Um passo em Falso.
O conto é bem curtinho por isso não posso contar muito sobre ele, mas o que posso e devo fazer é dizer que poucas páginas conseguiram me prender de um jeito que há muito tempo não me prendia. Eu tenho passado por uma ressaca literária, mas esse conto me trouxe de volta a vida da literatura.
Com uma narrativa fluída, rica em detalhes (que no meu caso eu acho muito importante para transformar as coisas ao meu redor e ser sugado pela narrativa) Helena consegue dar um ritmo para que o leitor vá mergulhando no que está escrito. A personagem Gisele tem hábitos normais e pensamentos que muito de nós temos durante o dia. É fácil fazer um ligação pessoal com ela e de cara criar um afeto pela personagem.
Helena também foi inteligente ao ligar alguns fatos como por exemplo o nome de uma música com o ponto de partida e assunto abordado, que acredito que será  abordado na continuação desse conto. A parte ruim é que ela me mandou apenas uma parte do conto. Ele acaba com um Cliffhanger que me deixou surtando pela continuação. E é com esse gosto de quero mais que desperta no leitor, que mostra a capacidade da autora, de criar uma situação e manter o leitor totalmente imerso e faminto pelo fim.

Eu apenas posso clamar para que isso seja disponibilizado em algum lugar, pois aquela capa de jornal em um café da manhã depois de um sonho daqueles não faz um leitor voraz ser satisfeito com uma gigante reticências literária. Mais que aprovado (pequeno surto de fanboy) espero ver Helena destacar-se como mais uma escritora incrível que sai daqui da nossa terrinha. 
 
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